Conferência
de Imprensa às 13h00 com as conclusões do Plenário
A Ordem dos Notários teve conhecimento, de forma não oficial (nunca foi notificada), de que o Governo se prepara para entregar aos Advogados e Solicitadores também as transacções imobiliárias. Ou seja, acabar com a obrigação de Escrituras Públicas para compra e venda de imóveis. O diploma já foi aprovado na generalidade em Conselho de Ministros aguardando apenas aprovação na especialidade.
A medida é profundamente gravosa a vários níveis. Nomeadamente:
- Deixará de existir o Controlo Jurídico Notarial, o rigoroso Arquivo Público dos contratos em Cartório e a Segurança e do Documento Público Autêntico;
- Aumentará, exponencialmente, a insegurança jurídica, tornando os Cidadãos sobretudo os economicamente mais fracos extremamente vulneráveis a toda a sorte de crimes e truques, designadamente à mercê de cláusulas abusivas, contratos inválidos, registos fraudulentos e datas forjadas, com as suas nefastas consequências;
- Aumentarão, inevitavelmente, as situações de posições contratuais dominantes por parte de advogados representantes das partes.
- Aumentarão os preços;
- Aumentarão a conflitualidade, os Processos Judiciais, os entupimentos nos Tribunais, os atrasos e a injustiça da demora da Justiça;
- Perderão os cidadãos;
- Perderão os Notários, uma classe profissional de comprovado rigor, honestidade e dinamismo e respeitada internacionalmente, que se vê forçada a encerrar os cartórios;
- Perderá o Estado, e de uma forma imediata o Ministério das Finanças, que deixará de ter controlo sobre as transacções imobiliárias com a consequente falta de cobrança de milhões de euros em impostos;
- Ganharão os Advogados e Solicitadores;
Esta medida é o corolário de uma longa lista de desformalização de Actos Públicos que este Ministério da Justiça tem vindo a entregar aos Advogados. É, porém, a medida derradeira que terminará com o Notariado em Portugal e tudo o que ele representa: seriedade nos negócios, equidade entre as partes, segurança jurídica (e consequentemente patrimonial) dos Cidadãos. Passaremos a estar isolados no Ordenamento Jurídico onde nos inserimos, passaremos a ser um estranho na Europa, excluídos do Documento Autêntico Europeu e do Registo Europeu de Testamentos, etc.,
Os Notários estão já esgotados desta perseguição e destes processos muito pouco claros. E vão avançar para todas as formas de luta ao seu alcance.